Segunda-feira, 9h da manhã. O sistema trava. O faturamento para. O telefone da sua mesa começa a gritar e o diretor aparece na porta com aquela pergunta clássica: “Quanto tempo para voltar?”.
Se você responder “estamos analisando”, você já perdeu a briga.
Em mais de três décadas atuando na TI em bancos, aprendi uma verdade dura: sistemas falham. Cabos rompem, atualizações quebram, hackers atacam. Não é uma questão de “se”, é de “quando”.
O erro não é o sistema cair. O erro é a empresa não saber o que fazer nos 10 minutos seguintes.
A Bússola no meio do Caos
A maioria das empresas opera na sorte. Quando o “apagão” acontece, sai todo mundo correndo igual barata tonta. A TI corre para arrumar a impressora do CEO, enquanto o setor de vendas está perdendo R$ 50 mil por hora sem emitir nota.
Isso é amadorismo.
O que separa os meninos dos adultos nesse jogo tem um nome feio, mas vital: BIA (Business Impact Analysis).
Esqueça a teoria de livro. Na prática, o BIA é um acordo de cavalheiros que você faz com os donos do negócio antes do desastre acontecer. É um documento onde está escrito em preto no branco:
- O que dói mais? Se o e-mail parar, a gente sobrevive. Se o faturamento parar, a gente morre. A prioridade é clara.
- Quanto tempo temos? O RTO (Tempo de Recuperação). O chefe assinou que aguenta ficar 4 horas parado? Então você tem 4 horas para trabalhar em paz, sem ele gritando no seu ouvido.
Por que você precisa disso para ontem?
Sem isso, você é apenas o “menino da informática” apagando incêndio. Com isso, você é um Gestor de Continuidade.
Ter esse mapeamento tira o alvo das suas costas. Quando o problema estourar (e ele vai), você não vai gastar energia decidindo o que fazer. Você vai apenas executar o plano que o próprio dono da empresa aprovou.
Se você não tem ideia de como montar esse documento sem parecer burocracia inútil, fica por perto. Nas próximas semanas, vou abrir a minha “caixa de ferramentas” aqui no Gadgeto e entregar os modelos que usei para proteger grandes operações financeiras.